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26-07-2007

Vila Nova de Monsarros - tomo 8


Plano Cultural: Parte II

Colectividades Culturais: os ranchos das décadas de 20


Ranchos de Vila Nova de Monsarros

Desde o início do século passado que se demonstra uma aptidão pelas tradições e uma forte tentativa de as manter vivas no seio da freguesia. Um povo alegre, acolhedor dos seus e “forasteiros”.

Entre os anos de 1928 e 1935 houve dois grupos etnográficos em Vila Nova, duas colectividades que rivalizavam entre si por altura dos Santos Populares. Cada grupo tinha um espaço próprio, devidamente enfeitado. Os directores eram Júlio José de Almeida (grupo Cascais) e António Ferreira Esteves.


Grupo Cascais

A maior, tinha um grupo teatral e um rancho. O seu espaço de trabalho localizava-se a poucos metros do Chafariz de Cascais. O “Clube” era o palco dos ensaios da colectividade, local agora ocupado por um edifício particular.

O rancho chegou a atingir bastante fama, especialmente pela marcha “Beneficente és da Bairrada”.

Para melhor se compreender, na actualidade, o sucesso de outrora, veja-se a letra do refrão da afamada música:

“Beneficente és da Bairrada

És da Bairrada

Diz a toda a gente

És a flora mais delicada!

De esperança e amor

Dizem da perfeição

Da nossa alma em flor

Beneficente!

Astro de intensa luz

Que ilumina a nossa terra!

Tem aspecto tão brilhante

E um sorriso permanente

Do grupo beneficente!

Num sonho de ventura

Doce como a ilusão

Sonha o mundo ouvido

Os versos desta canção!

Falai ao mundo inteiro

Neste rancho delicado

Mas dizei-lhe que em primeiro

Foi por Deus abençoado!”


Grupo de José Almeida

Apesar de várias insistências não consegui saber o nome deste grupo. Se você que está a ler souber, contacte-me e diga a designação. Agradecia.

O seu espaço de convívio e ensaios ficava junto ao Largo dos Carreiros, concretamente numa adega da propriedade de Ricardo Ruas. A colectividade teatral nasceu em cada participante, nas fortuitas actuações que faziam.


Fim das rivalidades

Cerca de uma década depois de terem encetado, os grupos terminaram. No entanto, o teatro seguiu em frente. Nas três primeiras actuações foram representadas as peças “Duas Causas” e “Maria do Sol”, com assistências bastante consideráveis, segundo testemunhos de algumas pessoas em declarações ao “Jornal da Bairrada”.

Nestas peças actuaram, entre outros, Maria Luísa Eugénia, Maria Esteves, Olívia Abrantes, Manuel Cosme, Manuel Raposo e Manuel Chula. Após a fogosa época, o teatro decaiu, em 1953 voltou a ganhar vida com várias peças, entre elas “Acto de Variedades”, com Elisa Esteves no principal papel, interpretando a música “Cavalaria Rusticana”.


Inv. por: Mário Matos


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